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"VILLA-DOMINGUES"

Exposição individual de Alex Domingues
com curadoria de Bruna Fetter

"Villa-Domingues" propõe uma renomeação e ressignificação do lugar social da Casa das Artes Villa Mimosa, em Canoas. Partindo da história pessoal do aritsta para atravessar a história da própria instituição: o casarão foi o local de trabalho de sua bisavó, Luci Domingues, que atuou ali como empregada doméstica. Falecida antes do nascimento do artista, Luci habita o imaginário familiar através de relatos e fotografias, em sua maioria perdidas na enchente de maio de 2024. O corpo da mostra é composto por vídeos, uma fotografia em escala de porta-retrato e uma videoinstalação. Os trabalhos articulam as perdas materiais e o apagamento de memórias íntimas que foram submersas em água e soterradas em entulhos no bairro Mathias Velho.

TEXTO CURATORIAL

por Bruna Fetter

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A partir de memórias perdidas pela enchente de maio de 2024 e todas as fortes consequências desta para a cidade, Domingues gera atravessamentos entre imagens daquele momento de perdas materiais coletivas, mas também de perdas de memórias íntimas que foram submersas em água e soterradas em entulhos.

 

Composta por dois vídeos, uma videoinstalação e uma pequena fotografia em escala de porta-retrato, Villa Domingues atravessa diferentes momentos da vida do artista, da vida dessa casa e da história da cidade de Canoas. O primeiro vídeo, "Até quando teremos lar?” (2024), parte de uma câmera estática que filma a rua de Alex absolutamente inundada. Residente do bairro Mathias Velho, o artista teve sua casa alagada e seus objetos e bens pessoais, perdidos em maio de 2024. Junto com eles, a memória de sua família. Essa exposição busca, a partir disso, não reparar ou reconstruir essa história, mas sim, ressignificar o papel dessas memórias.

 

A obra central da mostra é a videoinstalação intitulada, “A história material da minha família é uma pilha de destroços” (2025), que conta com onze telas de diferentes tamanhos, tecnologias, incluindo aí um notebook. Destas, apenas cinco funcionam. Cada uma dessas telas apresenta uma imagem daquilo que não é mais. Desde ruído, interferência, até a apresentação em loop no pequeno notebook localizado no chão das três únicas imagens remanescentes da sua bisavó. Essa instalação de vários canais nos permite experienciar simultaneamente diferentes lugares e diferentes tempos, criando narrativas múltiplas. Uma vez que esses vídeos não estão sincronizados, elas tornam a aparecer e reaparecer num eterno desencontro. Assim, cada vez que visitamos a exposição, é possível perceber um encontro específico de imagens. E a cada nova visita ou diferente momento da exposição, este encontro se renova e se modifica, multiplicando as possibilidades que atravessam e compõem essas narrativas. E também multiplicando os diferentes tipos de recepção que o público passa a ter dessas temporalidades.

 

Villa Domingues, primeira exposição individual do artista, parte da Villa Mimosa, antigo local de trabalho de Luci Domingues, bisavó de Alex, como doméstica. Falecida antes do nascimento do bisneto, Luci habita seu imaginário apenas a partir de lembranças de família: causos e fotografias antigas. Essas imagens foram perdidas em sua quase totalidade durante a enchente. Sobraram apenas essas três que, digitalizadas, sobreviveram fantasmagoricamente na nuvem de dados.

 

Apesar da se manifestar em todos os trabalhos de diferentes maneiras, é na obra “Meu avô cresceu como filho da empregada” (2025) que a autoficção fica mais evidenciada. Filmado na Villa, o vídeo conta com a participação de uma atriz vestida de doméstica, varrendo o pátio. Remetendo à presença-ausente de sua bisavó, Alex traz a imagem, sempre borrada, sempre de passagem, sempre espectral. Como desdobramento do vídeo citado, num canto da sala um porta-retrato repousa numa mesinha, iluminada por um abajur, conferindo um aconchego e um sentimento de domesticidade ao conjunto. Nele, novamente a aparição dessa imagem reconstruída de Luci. A poucos passos, a ficção pode ser confrontada com os vestígios da vida da bisavó, que volta a habitar este espaço durante o período da exposição. A arte encontra a vida. E Alex reencontra Luci neste espaço ficcional, onde quase tudo é possível.

PRODUÇÃO

Isadora Müller

EXPOGRAFIA

Gabriela Frohlich

MONTAGEM

Klaus Kellermann

DESIGN VISUAL

Luciana Hoerlle

MEDIAÇÃO EDUCATIVA

Rafaela Müller

PERFORMANCE

Andressa Matos

TRANSPORTE

Eduardo “Dudu” Augusto da Silva

REGISTROS EM FOTOGRAFIA

Edson Filho

REGISTROS EM VÍDEO

Lui Apollo

AUDIODESCRIÇÃO

Bruno Krieger

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