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CASA NÃO-CASA
Em progresso
"Casa não-casa" é um arquivo de registros da casa onde cresci, produzido um ano após a enchente de 2024 em Canoas, no Rio Grande do Sul. Ao revisitar esse espaço, me deparei com um lugar esvaziado de vida, preservado em resquícios materiais, mas irreconhecível em sua essência. Inspirado no conceito de não-lugar de Marc Augé, o título nomeia sua condição: minha casa foi profundamente identitária, relacional e histórica, mas o desastre a transformou na negação de tudo que já foi.

DIREÇÃO E MONTAGEM
Alex Domingues
DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
E FINALIZAÇÃO
Lui Apollo
MOSTRAS / FESTIVAIS
2026 - flicker/drift - Folkestone, Inglaterra
2025 - Mostra UFRGS - Rio Grande do Sul, Brasil
Alex Domingues
CASA NÃO-CASA
Um ano e dois meses depois da enchente que devastou o Rio Grande do Sul, retornei à casa onde cresci, com a intenção de produzir algumas imagens. O que mais me chamou atenção neste retorno foi sentir que ela deixou de ser um lugar real para se tornar um espaço onde a vida humana foi evacuada, restando apenas os resquícios materiais do seu passado. Dei o nome ao projeto de Casa não-casa, inspirado no conceito de não-lugar de Marc Augé.
Para Augé o não-lugar é definido pela ausência de identidade, relação e memória. No caso da casa, essa definição é subvertida. Ela foi, ao longo da minha vida, absolutamente constituída por esses fatores. Agora que se encontra esvaziada de vida, eu não consigo sentir que é o mesmo lugar. A experiência de estar ali foi como não estar, e por causa disso, eu não ousei voltar depois de todos esses meses. Um estado de negação que me fez dar esse nome, em um ato de negar minha própria casa.
A captura resultou em 19 planos, de aproximadamente 1 minuto, onde nada acontece, a não ser mínimas variações da luz natural ou um leve balanço de objetos pendurados. Registros de um lugar suspenso no tempo, que funcionam também como fotografias estáticas, com desenhos de luz natural que carregam uma beleza contraditória.
Tentar filmar a casa onde cresci me faz lembrar dos filmes de Tarkovski. Como O Espelho (1975), onde há momentos em que a câmera vagueia pela casa vazia, como se o olhar do próprio autor fosse um fantasma vagando dentro de sua memória. Essa sensação esteve presente durante meu processo. Toda vez que posicionava a câmera, sentia o desejo quase irracional de capturar os fantasmas do que essa casa já foi, como na assombrologia de Mark Fisher, conceito que aborda a persistência do passado, o retorno do que não pôde partir e a sensação de um futuro interrompido que ainda assombra. Como os fantasmas que assombram os destroços que um dia foi minha casa
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